Gostaria
de relatar o meu descontentamento com a instituição no que diz
respeito ao incentivo à pesquisa e extensão, bem como, e
principalmente nesta ocasião, com relação ao suporte à
participação de alunos em eventos que carregam o nome da mesma.
Logo no
primeiro semestre de curso um grupo de alunos desenvolveu um trabalho que foi selecionado pela instituição para ser apresentado em
evento que ocorrerá no próximo mês de agosto. No entanto, após a
seleção, nenhum contato foi estabelecido com os alunos e nenhuma
informação foi repassada sobre como se deveria proceder, apesar de
insistente procura da nossa parte. Seguindo instruções da
professora responsável pela orientação do trabalho (esta sim demonstrou entusiasmo e forneceu
toda a assistência necessária) e buscando os caminhos por conta
própria, os requisitos para a aprovação do trabalho pela
organização do evento foram cumpridos, resultando em êxito.
Então,
me pergunto qual é a motivação que corpos discente e docente têm
em promover projetos de pesquisa e extensão, se o apoio consiste na concessão de
pouquíssimas bolsas, com valores defasados em relação aos órgãos
de fomento à pesquisa que incentivam estas atividades em outras
instituições. Consiste na quase obrigatoriedade da produção em
massa de artigos científicos de qualidade duvidosa, devido ao pouco
tempo e recurso que os professores dispõem para orientar seus
alunos, exigidos como requisito de avaliação.
Não há
um ambiente propício para que se desenvolvam pesquisas de qualidade
e amplie as potencialidades dos alunos, não há autonomia para que
professores possam estruturar grupos de pesquisa ou extensão.
Talvez
seja muito exigir que uma instituição com tão pouco tempo em nossa
cidade tenha tudo isto a oferecer. Muitos são os que justificam
afirmando que as instituições particulares são voltadas ao mercado
de trabalho, afinal, é a rotatividade de alunos que as mantém.
No
entanto, não me vem ao entendimento o porquê desta política
adotada de impulsionar os alunos a produzirem números para estatísticas
e amarrar as mãos dos professores que se aventuram em comprometer-se
com uma instituição que vise não apenas números, mas a formação
de pessoas significativamente úteis à sociedade.
Porque esta política? Porque tanta desinformação? Porque esta
falsa ideia de amparo?
Talvez
minha estadia em universidade pública favoreça o pensamento de que
há uma enorme incoerência neste discurso que é sustentado pela instituição. Mas
acredito que muitos compartilhem da ideia de que qualidade de ensino
não remeta apenas ao conforto em sala de aula, mas em incentivo real
ao desenvolvimento do aluno, revertido em benefício da sociedade.
Pagamos
uma mensalidade cara e quando vamos fazer uma reclamação formal à
ouvidoria, encontramos uma sala vazia, com funcionário em férias e
nenhum substituto.
Talvez
haja o engano de que a rede particular não esteja sujeita às mesmas
instâncias que a rede pública. O sistema de ensino, mesmo nas redes
particulares é o público, pois devem seguir todas as exigências do
mesmo, não sendo a toa a aprovação do MEC para o seu
funcionamento. Porque não exigir respeito para com a sua formação?
Faculdade e universidade não têm de ter vieses diferentes, têm de
ter compromisso com a formação do aluno, seja qual for o intuito
deste.
Já pensou porque nas instituições particulares não existe um órgão representativo em função os alunos?
Já pensou porque nas instituições particulares não existe um órgão representativo em função os alunos?
Ivna
Fernandes
Pitacos por Rubens Mário
Pitacos por Rubens Mário