quarta-feira, 16 de julho de 2014

Descontentamento


      Gostaria de relatar o meu descontentamento com a instituição no que diz respeito ao incentivo à pesquisa e extensão, bem como, e principalmente nesta ocasião, com relação ao suporte à participação de alunos em eventos que carregam o nome da mesma.
     Logo no primeiro semestre de curso um grupo de alunos desenvolveu um trabalho que foi selecionado pela instituição para ser apresentado em evento que ocorrerá no próximo mês de agosto. No entanto, após a seleção, nenhum contato foi estabelecido com os alunos e nenhuma informação foi repassada sobre como se deveria proceder, apesar de insistente procura da nossa parte. Seguindo instruções da professora responsável pela orientação do trabalho (esta sim demonstrou entusiasmo e forneceu toda a assistência necessária) e buscando os caminhos por conta própria, os requisitos para a aprovação do trabalho pela organização do evento foram cumpridos, resultando em êxito.
       Então, me pergunto qual é a motivação que corpos discente e docente têm em promover projetos de pesquisa e extensão, se o apoio consiste na concessão de pouquíssimas bolsas, com valores defasados em relação aos órgãos de fomento à pesquisa que incentivam estas atividades em outras instituições. Consiste na quase obrigatoriedade da produção em massa de artigos científicos de qualidade duvidosa, devido ao pouco tempo e recurso que os professores dispõem para orientar seus alunos, exigidos como requisito de avaliação.
      Não há um ambiente propício para que se desenvolvam pesquisas de qualidade e amplie as potencialidades dos alunos, não há autonomia para que professores possam estruturar grupos de pesquisa ou extensão.
        Talvez seja muito exigir que uma instituição com tão pouco tempo em nossa cidade tenha tudo isto a oferecer. Muitos são os que justificam afirmando que as instituições particulares são voltadas ao mercado de trabalho, afinal, é a rotatividade de alunos que as mantém.
      No entanto, não me vem ao entendimento o porquê desta política adotada de impulsionar os alunos a produzirem números para estatísticas e amarrar as mãos dos professores que se aventuram em comprometer-se com uma instituição que vise não apenas números, mas a formação de pessoas  significativamente úteis à sociedade. Porque esta política? Porque tanta desinformação? Porque esta falsa ideia de amparo?
     Talvez minha estadia em universidade pública favoreça o pensamento de que há uma enorme incoerência neste discurso que é sustentado pela instituição. Mas acredito que muitos compartilhem da ideia de que qualidade de ensino não remeta apenas ao conforto em sala de aula, mas em incentivo real ao desenvolvimento do aluno, revertido em benefício da sociedade.
     Pagamos uma mensalidade cara e quando vamos fazer uma reclamação formal à ouvidoria, encontramos uma sala vazia, com funcionário em férias e nenhum substituto.
      Talvez haja o engano de que a rede particular não esteja sujeita às mesmas instâncias que a rede pública. O sistema de ensino, mesmo nas redes particulares é o público, pois devem seguir todas as exigências do mesmo, não sendo a toa a aprovação do MEC para o seu funcionamento. Porque não exigir respeito para com a sua formação? Faculdade e universidade não têm de ter vieses diferentes, têm de ter compromisso com a formação do aluno, seja qual for o intuito deste.

Já pensou porque nas instituições particulares não existe um órgão representativo em função os alunos?


Ivna Fernandes
Pitacos por Rubens Mário

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